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Artigo – Uma escola chamada cartório: novas reflexões – Por Anderson Nogueira Guedes

Tenho andado bastante reflexivo, ultimamente; não sei se é maturidade ou se é simplesmente a idade chegando. Fato é que tenho visto tudo de uma maneira um pouco diferente.

Conto, hoje, com mais de 15 anos na atividade extrajudicial. E, ao longo de todos esses anos, várias foram as alegrias vividas. Graças a DEUS, diversas foram as conquistas e vitórias! Porém, não sem antes transpor obstáculos, superar crises e vencer lutas e batalhas, sempre empenhados em prestar um serviço honesto, com excelência e qualidade, buscando fazer a diferença e andando com integridade.

Quantas experiências!

Costumo dizer que o cartório é uma escola!

Tenho percebido, entretanto, que as coisas estão ficando a cada ano mais difíceis e complicadas; e, as pessoas, distantes, imediatistas e superficiais.

Vivemos numa correria desenfreada, estudando, trabalhando, cumprindo metas e obrigações, resolvendo muitos problemas e cuidando das nossas responsabilidades.

Como já dizia em outra oportunidade, levantamo-nos todos os dias já olhando para o relógio e fazemos o mesmo ao nos deitar. Apagamos as luzes já pensando nas responsabilidades do dia seguinte, calculando o tempo que temos para descansar.

E, com isso, corremos um sério risco: o de nos esquecermos do que realmente importa; negligenciarmos aquelas que são as nossas verdadeiras riquezas.

Ficamos tão preocupados com metas, obrigações e demais afazeres dessa vida tão corrida que, muitas vezes, nos esquecemos de buscar e cuidar do que realmente tem valor, seja nas nossas profissões, seja nos demais aspectos das nossas vidas!

Já parou para pensar sobre isso?

Isso é muito sério!

O mundo dos homens anda cada vez mais frio e desumano. Isso sem falar no imediatismo das coisas.

Todos querem as rosas; poucos, porém, estão dispostos a lidar com os espinhos e a esperar a primavera!

Não podemos nos esquecer que o caminho para a vitória e para o crescimento pessoal e profissional é cheio de desafios e dificuldades; exige esforço, tempo de caminhada e superação!

Mas, qual é o homem que está disposto a enfrentar desafios, batalhas e dificuldades?

É muito mais fácil nos envolvermos somente com o que nos interessa; com o que nos traz alguma espécie de lucro.

Precisamos compreender que o tempo tem o seu propósito e, que, através de situações difíceis, desses enfrentamentos do dia a dia, crescemos profissionalmente e como seres humanos.

É, também, através das adversidades, que o homem é forjado em alguém melhor e preparado à bem viver a vida. Pelo menos é assim que deve ser.

 – “A vida é feita de enfrentamentos!” – já dizia um amigo. Ouso acrescentar: e de escolhas também! Não podemos nos esquecer disso.

Em nossa atividade não é diferente.

Assim como as crianças aprendem a andar e a caminhar com os tombos e com os joelhos ralados, é por meio de pequenos desafios e percalços – desses que todos enfrentam e passam, que aprendemos a nos portar adequadamente diante das mais variadas situações: – diante de uma pessoa mais ríspida no balcão; de alguém mais impaciente ou, até mesmo, de um possível falsário. Aprendemos, ainda, a nos alegrar com o entusiasmo de um casal durante um casamento civil, no momento do registro do tão esperado filho ou na assinatura da escritura da tão sonhada casa própria, assim como a respeitar o momento de dor daqueles que procuram a serventia para um registro de óbito ou, a como proceder e a bem orientar aquele pai que escolheu um nome espalhafatoso para a criança.

Sim, inúmeras são as situações que se apresentam corriqueiramente na prática notarial e registral. É um desafio atrás do outro!

Quem está no cartório todos os dias sabe do que estou falando. Não é verdade?!

E, ainda hoje, percebo que tenho muito a aprender.

Enfim, compreendi, que a paciência é uma grande virtude e, que, por menores que sejam, como são importantes as nossas experiências!

Hoje, de fato, posso dizer: quanto aprendizado!

No início, tudo o que queremos é mostrar serviço, bater metas, aumentar os nossos números e, muitas vezes, demonstrar que temos conhecimento/títulos e que estamos aptos, estamos preparados.

Tudo isso tem o seu valor, tem o seu lugar, e deve ser buscado.

Mas não podemos nos esquecer que, muito mais do que papéis e documentos, o que realmente importa são as pessoas.

Muito mais do que metas ou números, o que realmente importa são os seres humanos.

As pessoas que passam pelas nossas vidas, essas sim são importantes!

É a dona Maria e o seu Francisco, no Registro Civil; o seu José e a dona Sebastiana, no Tabelionato.

Atendê-los com um sorriso no rosto, de maneira cordial e adequada, com respeito e buscando, de fato, atender aos seus legítimos anseios.

Isso é um privilégio! Essa é a finalidade!

Mas quem hoje em dia quer servir?

Todos buscam ser servidos, não é mesmo?!

Falando francamente, é para isso que muitos tanto estudam nos dias de hoje.

Mas não precisa ser necessariamente assim.

Devemos prestar sempre um serviço mais humanizado, não o inverso como tem acontecido no mundo.

Por favor, mais calor e menos frieza; mais respeito às diferenças, sejam elas quais forem. Lembrando-nos, sempre, que essa é uma via de mão dupla.

Precisamos valorizar mais as pessoas que estão ao nosso lado e as que confiam e buscam os nossos serviços.

Devemos, sim, ficar felizes com o crescimento do colega de trabalho e lhe dar uma mão ou, até mesmo, um “braço”, quando ele precisa; sorrir de vez em quando, e não ficar sempre tão sérios e isolados, concentrados naquela escritura, naquele estatuto, naquele trabalho.

Sim, precisamos sorrir mais!

É necessário fazer a diferença e buscar o crescimento sempre, como profissionais, como indivíduos, como seres humanos.

Fico, também, feliz em dizer, que, ao longo desses anos, também fizemos muitas amizades; colegas de trabalho e clientes se tornaram amigos.

Em um mundo tão competitivo, fiz também grandes amigos, nos concursos e na atividade – em nossa cidade, em nosso estado e em vários recantos deste grande e belo país.

Como é bom ser respeitado, pelo seu profissionalismo, pelo seu trabalho, pela sua postura, pela sua honestidade.

Isso, não há dinheiro no mundo que pague!

Muito mais do que bens e dinheiro, o que realmente fica são os nossos bons exemplos e conselhos. Esse sim é um bom legado!

Escrever, nos livros das nossas vidas, histórias dignas de serem lidas, isso sim deve ser buscado!

O autor, Anderson Nogueira Guedes, é Notário e Registrador Público Substituto do Tabelionato Guedes – 2º Serviço Notarial e Registral de Campo Novo do Parecis – MT, com mais de 15 anos de experiência na atividade. Bacharel em Direito. Especialista em Direito Notarial e Registral. Pós-Graduando em Direito de Família e Sucessões e em Direito Tributário. Secretário Adjunto da ARPEN-MT. Integrante/assessor da Comissão de Estudos e Consultas Técnicas relacionados à Especialidade de Registro Civil de Pessoas Jurídicas da ANOREG/MT. Palestrante. Autor de artigos jurídicos publicados em sites especializados em Direito Notarial e Registral e coautor da obra “Tabelionato de Notas – Temas Aprofundados, publicado pela Editora Juspodivm. Aprovado em vários concursos públicos para ingresso na Atividade Notarial e Registral.

Fonte: Anoreg/MT

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