TJ/MG – Oficina virtual aborda consequências do divórcio para filhos

Man And Woman Take Care Of Their Family
Man and woman take care of their family

Judiciário ajuda a refletir e oferece ferramentas para soluções amigáveis

Conflito. Se há um processo, provavelmente há divergência. Raiva e mágoa costumam permear os feitos de divórcio, guarda e pensão alimentícia. E desentendimentos entre adultos podem acabar afetando os filhos.

Buscando oferecer aos pais meios para que possam lidar com os conflitos sem prejudicar crianças e adolescentes, o Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania (Cejusc) de Belo Horizonte realiza oficinas de parentalidade. Em razão do momento atual, as edições de ontem (20/07) e hoje (21/07) foram feitas virtualmente. Em cada dia, houve participação de cerca de 15 pessoas.

“Mesmo que haja separação, vocês continuarão sendo pais e mães. Do relacionamento de vocês nasceu um vínculo, seus filhos. Estamos aqui para oferecer ferramentas para que vocês consigam lidar com o conflito sozinhos. Se não derem conta, o juiz vai resolver. Mas acredito que vocês têm muito mais condições de resolver. Lembrando sempre que o foco é o bem-estar dos filhos”, comentou o juiz coordenador do Cejusc, Clayton Rosa de Resende, na abertura.

Os participantes do segundo dia tinham processos em tramitação nas varas de família. Mas a oficina é aberta a qualquer adulto responsável pela criança ou pelo adolescente. “A condição é a dificuldade de comunicação com o outro, havendo processo ou não”, explica a mediadora do Cejusc, Fátima Salomé.

Segundo a servidora, a oficina acolhe todo formato de família: “Casal heterossexual ou homoafetivo, que foi casado e se divorciou, que viveu junto e se separou, que nunca viveu junto, mas têm filhos em comum”, exemplifica.

A mediadora do Cejusc, Julieta Ribeiro Martins, durante a condução da oficina, disse ser habitual uma das partes querer mostrar que é melhor que a outra perante o juiz, para conseguir o que está pleiteando. Nessa hora, o que ocorre é um sempre apontar os erros do outro.  

“Dependendo da forma como uma pessoa fala, a outra revida do mesmo jeito, ou ambos acabam por nem se falar”, destacou. Visando evitar esse tipo de reação, Julieta abordou o conceito de Comunicação Não-Violenta (CNV). “Trata-se de uma metodologia de conexão com o outro, sem ataques, sem julgamentos”, afirmou, reconhecendo não ser uma prática fácil, mas convidando os participantes a exercerem esse diálogo.

Segundo a mediadora, há quatro pontos fundamentais na CNV: a observação, a demonstração do sentimento, a exposição de uma necessidade e o pedido em relação à necessidade que se tem. “Propomos essa estratégica em vez das atitudes de julgar, classificar, ameaçar e dar ordens”, ponderou. E isso, acrescentou, vale para todos os relacionamentos.

Dificuldade de diálogo com o outro e alienação parental foram pontos mencionados por alguns participantes como problemáticos no relacionamento com o ex-parceiro ou parceira e, consequentemente, com os filhos, o que acaba por prejudicar o contato e convívio com eles.

Mudanças de comportamento

A mediadora do Cejusc, Daniele Ciribelli Kelmer, complementou que o divórcio traz muitas mudanças para os filhos. “Diminuição do convívio com o outro genitor, troca de vizinhança, escola, amigos. Lidar com novos relacionamentos dos pais. Aajustes para receber um novo membro na família…”, enumera.

Nem todo divórcio é tão doloroso ou traumático, lembrou Julieta, mas o convívio com pais em conflito, independentemente do fato de estarem juntos ou separados, pode acarretar problemas de interação social ou mesmo traumas. Daniela alertou os pais a observarem o comportamento dos filhos, pois eles podem estar sentindo solidão, medo e depressão.    

O juiz Clayton Resende comparou a relação entre pais e filhos aos cuidados com uma árvore. O filho é como uma semente, que para crescer precisa ser plantada, regada, protegida, alimentada, para só depois dar frutos. Ele reforçou que os filhos devem receber a atenção dos pais e que todos devem encontrar, juntos, uma saída para os conflitos.

Julieta, em concordância com o magistrado, resumiu o resultado da opção pelas vias judiciais em uma frase: “A solução que o juiz encontra nem sempre é a mais efetiva.”

Inicialmente apreensiva, a mediadora Fátima Salomé aprovou o novo formato de oficina. “Dentro dos limites da vida online, foi um sucesso. Eu sempre falo que as ciências humanas demandam a presença, o olho no olho. Mas, na nossa atual realidade, se é possível online, vamos fazer o melhor online”.

Fonte: Tribunal de Justiça de Minas Gerais

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